Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, afirmou que a China "cometeu um grande erro" ao tentar usar seu domínio sobre as terras raras como arma.
Em entrevista ao Financial Times publicada na sexta-feira, Scott afirmou que ambos os governos haviam chegado a uma espécie de equilíbrio antes de a China decidir "atirar para o alto", ameaçando cortar as exportações de minerais críticos.
Ele alertou que isso ultrapassou os limites. Disse que a China não poderá continuar usando terras raras como instrumento de pressão, especialmente agora que revelou suas intenções.
Scott salientou que os Estados Unidos consideram a medida um grande erro de cálculo. Ao demonstrar a sua disposição para usar terras raras como forma de retaliação, a China expôs-se.
Washington já está pressionando por alternativas, e essa nova escalada só acelerou o processo. Scott afirmou que os EUA e seus parceiros não podem mais se dar ao luxo de presumir que esses minerais estarão disponíveis gratuitamente.
Scott, o produtor de soja, diz que também sentiu essa dor
Scott também aproveitou o momento para falar sobre a outra frente nessa disputa comercial: a soja. Durante uma entrevista com Martha Raddatz na ABC News, Scott disse: "Eu sou produtor de soja... Eu também já senti essa dor."
A China vem bloqueando efetivamente a soja americana há meses, e Scott é uma das pessoas afetadas. Mais ou menos. Ele possui terras agrícolas em Dakota do Norte, onde se cultivam soja e milho.
Seus bens estão avaliados entre 5 e 25 milhões de dólares e geram entre 100 mil e 1 milhão de dólares por ano, de acordo com suas declarações financeiras.
Mas não vamos fingir que Scott depende dessas colheitas. A Forbes afirma que seu patrimônio líquido gira em torno de 600 milhões de dólares.
Assim, quando a China, que antes era a maior compradora dos Estados Unidos, impôs pesadas tarifas sobre a soja em maio, depois que odent Donald Trump impôs taxas sobre as importações chinesas, o impacto não foi distribuído igualmente.
Desde a imposição das tarifas, a China não comprou nenhuma soja americana. Os agricultores comuns, aqueles que dependem da venda da safra, são os que realmente estão sentindo o impacto. Scott disse que o embargo está prejudicando a empresa, mas a verdade é que ele consegue suportar o impacto melhor do que a maioria.
Ainda assim, o fato de o Secretário do Tesouro ser diretamente afetado por um impasse comercial com a China acrescenta uma reviravolta estranha.
Acordo do TikTok avança após ordem de Trump
Além das terras raras e da soja, Scott afirmou que o acordo com o TikTok finalmente está saindo do papel. Em entrevista à Fox Business, ele confirmou que, em Kuala Lumpur, ambas as partes finalizaram o acordo e aguardam sua implementação.
“Espero que isso avance nas próximas semanas e meses, e que finalmente vejamos uma resolução para essa questão”, disse ele.
A disputa em torno do TikTok já dura mais de um ano e meio. Em 2024, o Congresso aprovou uma lei que obriga a ByteDance, proprietária chinesa do TikTok, a vender os ativos do aplicativo nos EUA até janeiro de 2025.
Trump deu seguimento a isso com uma ordem executiva em 25 de setembro, afirmando que o plano de venda atende às condições de segurança nacional da lei. O tempo está se esgotando. Os compradores têm 120 dias para fechar o negócio, e Trump prorrogou o prazo final para 20 de janeiro de 2026.
De acordo com o novo plano, a ByteDance deterá menos de 20% do TikTok nos EUA e terá apenas uma das sete cadeiras do novo conselho. As outras seis serão ocupadas por americanos.
O algoritmo do aplicativo, usado por 170 milhões de americanos, será reprogramado e monitorado por parceiros de segurança cibernética dos EUA, com o controle total sendo transferido para a nova joint venture.
Ainda assim, John Moolenaar, o republicano que preside o Comitê Seleto da Câmara sobre a China, continua sem se convencer. Ele afirmou que o acordo de licenciamento do algoritmo, que faz parte do negócio, "levanta sérias preocupações"
O Ministério do Comércio da China, por sua vez, afirmou que pretende "lidar adequadamente" com a questão e que trabalhará com os EUA para resolver as pendências. Mas Washington parece já ter tomado sua decisão.

