Michelle Bond, ex-namorada do ex-executivo da FTX, Ryan Salame, está com sérios problemas legais. Promotores federais de Nova York a acusaram de arrecadação ilegal de fundos de campanha durante sua fracassada candidatura ao Congresso em 2022.
As acusações são brutais: Michelle teria usado fundos da FTX para financiar sua campanha, canalizando o dinheiro por meio de transações obscuras orquestradas por Ryan.
A acusação alega que Michelle, que concorria a uma vaga na Câmara dos Representantes pelo primeiro distrito congressional de Nova York, recebeu US$ 400.000 adiantados da FTX. A corretora de criptomoedas, agora falida, prometeu ainda um adicional de US$ 100.000 anualmente.
Aparentemente, a candidatura de Michelle foi financiada quase inteiramente com dinheiro que não deveria estar lá em primeiro lugar.
Segundo Damian Williams, procurador federal de Manhattan, este não foi um crime de pequena monta. Williams acusa Michelle de usar o que ele chama de estrutura de pagamento "falsa" para encher os cofres de sua campanha com fundos que, segundo todos os relatos, eram ilícitos.
Ryan, o homem por trás da cortina, teria transferido centenas de milhares de dólares para a conta bancária pessoal de Michelle entre junho e agosto de 2022. A acusação afirma que esse dinheiro foi então injetado diretamente em sua campanha, em clara violação da lei federal.
“Todo o esquema foi concebido para burlar os canais legais”, afirma a acusação. Apenas um dia antes de ser divulgada, o próprio Ryan estava causando polêmica no meio jurídico, pedindo a um juiz federal de Nova York que anulasse sua declaração de culpa por crimes de financiamento de campanha e transferência de dinheiro.
Seus advogados argumentam que a promotoria havia prometido encerrar a investigação contra Michelle se Ryan se declarasse culpado. Agora, com Michelle sob os holofotes, fica claro que esse acordo, se é que existiu, está descartado.
Ryan e Michelle se conheceram em junho de 2021 e rapidamente se tornaram um casal influente no mundo das criptomoedas. No início de 2022, o relacionamento deles se tornou público e seus laços foram além do pessoal — a influência de Ryan se estendeu às ambições políticas de Michelle.
A acusação deixa claro que Ryan, referido como CC-1, foi fundamental na conspiração. Foram suas conexões e seu acesso aos fundos da FTX que tornaram toda a operação possível.
Michelle, que era advogada na região de Washington, também ocupou o cargo de CEO em um grupo comercial de ativos digitais durante o período em questão.
Em junho, Michelle lançou a Digital Future, um grupo de reflexão com o objetivo de expandir os limites do setor de serviços financeiros. Em uma declaração recente, ela afirmou:
“Sempre fui a favor da inovação e, agora mais do que nunca, os setores de ativos digitais e IA precisam de uma voztron, pesquisa e defesa para guiá-los rumo a um regime regulatório favorável.”
Enquanto isso, Ryan deverá começar a cumprir uma pena de prisão de 7 anos e meio em 13 de outubro. Além disso, ele foi condenado a pagar mais de US$ 6 milhões em confisco e mais de US$ 5 milhões em restituição.
Sua recente tentativa de se retratar da confissão de culpa foi recebida com duras críticas. O procurador federal Williams não poupou palavras, chamando a manobra de Ryan de um esforço "descarado e oportunista" para se esquivar da responsabilidade.

