O Centro Financeiro do Qatar publicou um relatório sobre o futuro dos ativos digitais, destacando a necessidade de estruturas regulatórias coordenadas e cooperação multissetorial para desbloquear o futuro da tokenização de ativos do mundo real (RWA), mencionando que o Qatar trabalhará na implementação de stablecoins em um futuro próximo.
O relatório, elaborado em parceria com a Global Stratalogues e o Global Blockchain Business Council, oferece insights de especialistas globais sobre o que constituirá um desenvolvimento bem-sucedido de ecossistemas de tokens inclusivos e preparados para o futuro, que, segundo eles, depende do alinhamento regulatório transfronteiriço, do investimento estratégico em infraestrutura e da colaboração público-privada.
Os resultados destacam que a tokenização, quando inserida num quadro político coerente, pode expandir o acesso ao mercado, melhorar a inclusão financeira e gerar valor tangível em todas as economias.
O relatório foi divulgado durante a primeira Mesa Redonda sobre Políticas de Ativos Digitais, organizada pelo Centro Financeiro do Qatar (QFC) em parceria com a Global Stratalogues e o Global Blockchain Business Council (GBBC), realizada durante o Fórum Econômico do Qatar como um fórum histórico para a coordenação regulatória transfronteiriça e o diálogo institucional.
As discussões em mesa redonda destacadas no relatório observaram que, embora esteja surgindo um alinhamento regulatório global, ele ocorre de forma desigual, uma vez que defilegais e os requisitos de conformidade variam entre as jurisdições.
O relatório menciona que a infraestrutura e a interoperabilidade devem ser priorizadas e defende a criação de ambientes de teste institucionais e padrões globais. O ambiente de teste regulatório do Catar foi citado como uma prática recomendada globalmente.
Yousuf Mohamed Al-Jaida, CEO da QFC, acredita que a tokenização pode desbloquear valor real, tornando os ativos mais acessíveis e fáceis de transferir. Ele afirma: “Para concretizar esse potencial, precisamos de um sistema claro que combine regulamentação robusta, custódia segura e aplicação prática. Isso criará um ambiente confiável que permitirá a adoção institucional e impulsionará o crescimento sustentável do mercado.”
Destacando a aplicação prática dos tokens digitais, Henk J. Hoogendoorn, Diretor do Setor Financeiro do QFC, afirmou: “A tokenização deve ter um propósito. Ela deve democratizar o acesso e criar valor no mundo real. O Catar está empenhado em fazer da tokenização de ativos do mundo real um sucesso.”
A estratégia de ativos digitais do Qatar incluirá stablecoins
Representando o QFC, Hoogendoorn delineou a abordagem estratégica do Catar para o desenvolvimento de ativos digitais, reiterando a posição do país sobre as restrições às criptomoedas. Ele observou que a política oficial é de que "criptomoedas estão fora de questão por enquanto", conforme declarado anteriormente pelo CEO do QFC durante o Fórum Econômico do Catar deste ano.
No entanto, ele mencionou que se prevê uma adoção seletiva de criptomoedas, provavelmente começando com as stablecoins. Em termos de coordenação regulatória, Hoogendoom explicou que esta seria uma iniciativa conjunta com a Autoridade Central de Risco do Qatar e o Banco Central do Qatar.
No caso do Catar, a estratégia de tokenização consiste em incorporá-la ao setor de investimentos em áreas como capital privado, mecanismos de ativos digitais compatíveis com a sharia e automação da estrutura Murabaha, o que permitiria liquidez no mercado secundário por meio da negociação de tokens.
A estratégia também busca auxiliar o capital de risco com oportunidades de saída antecipada para os investidores.
Empresas do setor de blockchain participaram do Digital Asset Labs do Catar, incluindo a R3, a SettleMint e a The Hashgraph Association.
A Hashgraph Association anunciou em 2024 que, nos próximos 12 meses, exploraria cinco casos de uso inovadores nas áreas de tokenização de ações, tokenização de títulos islâmicos Sukuk, tokenização de imóveis, créditos de carbono ESG para sustentabilidade, além de programas de engajamento e fidelização do consumidor.
Esta iniciativa faz parte da parceria firmada com a QFC para um programa de investimento de US$ 50 milhões em ativos digitais, o Digital Assets Venture Studio, com o objetivo de desenvolver o ecossistema de inovação Web3 e DLT no Catar.
Recentemente, por exemplo, o Qatar National Bank (filial de Singapura) e a DMZ Finance, uma empresa de tecnologia financeira blockchain também sediada em Singapura, receberam o primeiro fundo de mercado monetário tokenizado regulamentado para a região MENA (Oriente Médio e Norte da África) da Autoridade de Serviços Financeiros de Dubai. O QNB, a maior instituição financeira do Oriente Médio e da África, atuará como principal originador e gestor de investimentos do fundo. A DMZ Finance, atuando como co-originadora, fornece a infraestrutura de tokenização exclusiva que viabiliza o fundo.
Os ativos de risco do mundo (RWA, na sigla em inglês) são cada vez mais reconhecidos como uma ponte crucial entre as finanças tradicionais (TradFi) e as finanças descentralizadas (DeFi). De acordo com um relatório recente da Ripple e da BCG, o mercado de RWAs tokenizados deverá crescer para US$ 18,9 trilhões até 2033, considerando um cenário intermediário.

