O Tribunal Superior de Peshawar ordenou ao governo federal do Paquistão que combata a crescente ameaça do comércio ilegal de criptomoedas. Segundo relatos, o tribunal determinou que todo o comércio ilegal de criptomoedas em todo o país seja eliminado, dando um prazo de dois meses para atingir esse objetivo.
Segundo relatos , o tribunal quer que o Paquistão formule primeiro uma estratégia para conter o problema em todo o país, incluindo Khyber Pakhtunkhwa. Também ordenou ao governo que apresente um relatório abrangente nesse sentido. A decisão foi proferida por um painel composto pelo Juiz Syed Arshad e pelo Juiz Dr. Khurshid Iqbal. O caso teve origem numa petição apresentada pelo advogado Huzaifa Ahmad, que se representou a si próprio no tribunal.
Segundo o requerente, o termo moeda digital evoluiu muito nesta era tecnológica. Ele acrescentou que isso significa que agora é possível movimentar dinheiro digitalmente, sem nenhuma estrutura legal ou legislação que regule essas moedas. O governo federal do Paquistão foi representado no caso pelo Procurador-Geral Adjunto, Bilal Durrani.
Advogado paquistanês apresenta petição para regulamentar a negociação de criptomoedas
Segundo o requerente, o Banco Central do Paquistão já havia declarado tais transações comerciais pela internet como ilegais em uma notificação divulgada pelo banco em 2018. Na circular compartilhada pelo banco, afirmava-se que os ativos digitais não eram autorizados para a compra ou troca de mercadorias.
“Moedas virtuais (MVs) como Bitcoin, Litecoin, Pakcoin, OneCoin, DasCoin, Pay Diamond, etc., ou tokens de Ofertas Iniciais de Moedas (ICOs) não são moeda corrente, emitidas ou garantidas pelo Governo do Paquistão. O Banco Central do Paquistão (SBP) não autorizou nem licenciou nenhuma pessoa física ou jurídica para a emissão, venda, compra, troca ou investimento em quaisquer dessas moedas virtuais/tokens no Paquistão”, diz o comunicado.
O governo também ordenou que todos os provedores e operadores de serviços de pagamento se abstivessem de fornecer quaisquer serviços a qualquer indivíduo ou empresa que negocie tais serviços. "Em vista do exposto, todos os bancos/instituições financeiras de desenvolvimento/bancos de microfinanças e operadores de sistemas de pagamento (PSOs)/provedores de serviços de pagamento (PSPs) são aconselhados a se absterem de processar, usar, negociar, manter, transferir valor, promover e investir em moedas/tokens virtuais", acrescentou.
No entanto, segundo o peticionário, indivíduos e empresas ainda utilizam esses diversos canais da internet para realizar transações. Ele mencionou que centros de treinamento e academias de capacitação na província de Khyber Pakhtunkhwa não apenas oferecem serviços de negociação Bitcoin e Forex, como também divulgam esses serviços em plataformas de mídia social, incluindo TikTok, Facebook e YouTube.
O Tribunal Superior de Peshawar ordenou uma investigação sobre negociações ilegais de criptomoedas
Em suas alegações, o peticionário mencionou que operadores e comerciantes vêm realizando essas atividades online há algum tempo, observando que eles coletam, sacam e congelam cash online. Ele também acrescentou que as autoridades competentes não tomaram nenhuma providência contra essas atividades, apesar de terem conhecimento delas. Acrescentou ainda que escreveu às autoridades relevantes nos últimos anos, mas que ainda não obteve resposta às suas cartas nem tomou as medidas necessárias.
De acordo com as leis da Comissão de Valores Mobiliários do Paquistão (SECP), as empresas que desejam realizar atividades desse tipo precisam primeiro se registrar de acordo com as leis do mercado de valores mobiliários. No entanto, essas empresas e academias de treinamento não estão registradas, embora possam ser uma fonte de receita tributária para o governo federal. Ele também alertou sobre os perigos do uso de ativos digitais para lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.
O peticionário mencionou que esses tipos de comércio podem comprometer seriamente a segurança nacional do país. "Portanto, é responsabilidade dos governos federal e provinciais proibir tais negócios ilegais e fechar as instituições e academias envolvidas em negociações com criptomoedas e forex para a prática de terrorismo, jogos de azar e outras atividades antiestatais", afirmou.
Ele solicitou que o tribunal ordenasse ao governo a aprovação de legislação para proibir tais empresas ilegais e obrigasse a Agência Federal de Investigação e outras agências relevantes a agir. O procurador-geral adjunto, representando o governo federal, informou ao tribunal que o governo está em processo de elaboração da legislação e precisa de cerca de um mês para concluí-la.
Em resposta, o tribunal concedeu ao governo dois meses, tendo posteriormente adiado a audiência, ao mesmo tempo que ordenou ao governo federal que apresentasse uma política dentro desse período.

