O preço do petróleo caiu na quarta-feira após a notícia de que a OPEP+ está considerando um novo aumento na produção para outubro.
O Brent caiu US$ 1,54, fechando a US$ 67,60 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) dos EUA recuou US$ 1,62, encerrando o dia a US$ 63,97. Isso representa uma queda de 2,23% e 2,47%, respectivamente.
A coincidência? Apenas alguns dias antes de uma reunião online no domingo, onde oito membros da OPEP+ decidirão se aumentam novamente a produção, de acordo com a Reuters.
Os investidores não previram isso. O mercado havia precificado uma postura estável, mas agora existe uma chance real de a OPEP+ mudar de direção. Phil Flynn, analista sênior do Price Futures Group, afirmou que as probabilidades de um aumento na produção "aumentaram" antes do fim de semana.
O cartel quer recuperar sua participação no mercado, e um novo aumentotracos planos para aliviar um grande corte na oferta que deveria permanecer em vigor até 2026.
OPEP+ avalia saída antecipada da segunda camada de cortes
Não se trata apenas de um pequeno ajuste. A possível medida de domingo significaria que a OPEP+ começaria a reverter os 1,65 milhão de barris por dia (bpd) de cortes adicionais que havia concordado em manter até o final de 2026. Esse número representa 1,6% da demanda mundial de petróleo. Se o grupo aumentar as cotas como esperado, estará antecipando o cronograma em mais de um ano.
O bloco já havia aprovado um aumento de 2,2 milhões de barris por dia (bpd) de abril a setembro. Isso se soma a uma cota bônus de 300.000 bpd para os Emirados Árabes Unidos.
Em sua última reunião, em agosto, os oito membros principais também aumentaram a produção em 547.000 barris por dia para setembro, elevando o aumento total deste ano para 2,5 milhões de barris por dia, incluindo a alocação dos Emirados Árabes Unidos.
Mas a realidade não correspondeu às promessas. Alguns membros ainda estão compensando a superprodução anterior, enquanto outros não conseguem atingir suas cotas devido a problemas técnicos ou de capacidade. Ole Hvalbye, analista do banco SEB, alertou:
“Se a produção aumentar em linha com as novas quotas, prevemos que o mercado registará um excedente considerável entre setembro de 2025 e 2026, com os inventários a acumularem-se, a menos que sejam contrariados por uma renovada contenção.”
O grupo, que inclui a OPEP, a Rússia e outros parceiros, produz cerca de metade do petróleo mundial. Até recentemente, vinha retendo barris para evitar o colapso dos preços. Essa estratégia poderá ser revertida se a decisão de domingo for aprovada.
Mas, mesmo com as discussões sobre aumentar a produção, o fato de a produção real estar abaixo das promessas tem ajudado a sustentar os preços por enquanto.
Outros dados aumentam a pressão sobre os preços do petróleo
O despejo de petróleo não se limitou à OPEP+. Há outros fatores afetando a demanda. As vagas de emprego nos EUA em julho ficaram em 7,181 milhões, bem abaixo dos 7,378 milhões esperados, segundo o Departamento do Trabalho. Os fracos números do mercado de trabalho aumentam as preocupações com o consumo e o ritmo da economia.
O setor manufatureiro também está enfrentando dificuldades, com a atividade fabril nos EUA encolhendo pelo sexto mês consecutivo, sinalizando uma maior fraqueza na demanda pela frente.
O mercado ainda aguarda os números de estoques do Instituto Americano de Petróleo (API), que devem mostrar uma queda nos estoques de petróleo bruto, gasolina e destilados. Uma queda como essa normalmente sustenta os preços, mas com essa medida da OPEP+ no horizonte, as notícias sobre oferta estão se sobrepondo às de demanda.
Na Nigéria, as coisas também não estão indo bem. A enorme refinaria Dangote, com capacidade para 650 mil barris por dia, está enfrentando paralisações. Um vazamento de catalisador e outras falhas técnicas tiraram partes da planta do funcionamento. Os reparos podem levar duas semanas, dent o refino local, mas não o suficiente para compensar o que poderia vir da OPEP+.
Dito isso, ainda há outros 2 milhões de barris por dia em cortes em todo o grupo previstos. Esses cortes são distintos dos 1,65 milhão que estão sendo debatidos neste fim de semana. Ambos os cortes deveriam vigorar até o final de 2026, mas o grupo agora parece ansioso para acelerá-los.
Fonte da imagem: Economictimes