Os gigantes da tecnologia dos EUA estão incentivando seus parceiros taiwaneses, especializados na produção de servidores de IA, a se instalarem no México, uma possível continuação das mudanças na dinâmica global relacionada à manufatura. Essa movimentação estratégica, como também destacado em um artigo do The Wall Street Journal, demonstra, por um lado, a influência não apenas de considerações geopolíticas, mas também da vantagem da proximidade com o mercado norte-americano. Tal incentivo surge em decorrência do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), um acordo comercial trilateral que torna cada vez mais viável a proposta de deixar de lado os tradicionais polos de manufatura, como a China, em favor do México.
Mudando o foco para o México
Os fabricantes taiwaneses detron, mestres em servidores, parecem estar prestes a invadir o México. Impulsionando essa mudança está a pressão de gigantes da tecnologia americanas como Amazon, Google, Microsoft e Nvidia que, embora não confirmado publicamente, dizem que encomendam a fabricação de seus servidores de IA à Foxconn no México.
O grande investimento da Foxconn em instalações mexicanas faz parte de uma tendência mais ampla de nearshoring, que consiste em aproximar a produção do mercado consumidor final para superar desafios logísticos e reduzir o tempo de entrega. Além da logística e da economia, essa mudança representa uma guinada estratégica agressiva na crescente animosidade entre os EUA e a China. E nesse ponto crucial está o USMCA, que define os incentivos que podem impulsionar a expansão da empresa para o outro lado da fronteira.
Sua localização geográfica estratégica e alguns dos menores entraves geopolíticos fazem do México, talvez, um dos argumentos mais convincentes contra a China, outrora considerada a maior potência industrial do mundo.
Os benefícios do nearshoring
Considera-se que o nearshoring vem ganhando terreno desde a assinatura do USMCA, que estabelece relações comerciaistronna América do Norte.
A transferência da produção para o México seria mais barata devido à redução dos custos de transporte, ao mesmo tempo que aumentaria a confiabilidade da cadeia de suprimentos e atenderia de forma mais eficaz à demanda do mercado. Trezentas empresas taiwanesas estão instaladas no México, empregando 70.000 pessoas. Sua posição faz do país uma grande potência comercial e produtiva. Essa transição também ilustra uma diversificação estratégica das bases de produção, reduzindo a dependência excessiva da China, dada a continuidade das tensões comerciais e sanções de longa data. As restrições à exportação de chips avançados para a China — um elemento crucial para a produção de servidores de IA — demonstram ainda mais a dificuldade das empresas chinesas em atender às demandas das empresas de tecnologia americanas. A emergência do México, e particularmente da Baja California e Tijuana, como uma opção viável resolve esse impasse, oferecendo uma solução para manter o fluxo de produtos de tecnologia de ponta.
Desafios e oportunidades
Apesar das vantagens aparentes, estabelecer operações de manufatura no México não está isento de desafios. Questões como a concorrência salarial e a confiabilidade dos serviços públicos representam obstáculos potenciais que as empresas precisam superar.
A isso se soma o benefício estratégico da localização próxima (nearshoring), combinado com os incentivos do USMCA, que aumentam atracdo México para a manufatura de tecnologia, garantindo sua relação próxima, porém não concêntrica, com o mercado americano. A tendência mais ampla das importações americanas mostra uma dependência cada vez menor da China para sua produção. De acordo com dados do Departamento do Censo, a porcentagem de produtos chineses nas importações americanas caiu drasticamente, o que aponta para uma tendência geral de diversificação das fontes de produção.
Isso faz parte de uma estratégia abrangente para reduzir os riscos que o país corre ao depender excessivamente de um único país para componentes e produtos críticos.
Enquanto Ujon luta por sua transferência para o México, o cenário global da produçãotronparece estar prestes a sofrer uma grande transformação. Isso deslocará o foco para a relocalização da produção, não apenas por necessidade econômica e logística, mas também para se adaptar à mudança no ambiente geopolítico. O México tem muito a ganhar com essa mudança e em breve consolidará sua posição como o polo tecnológico e industrial da América do Norte.
Essas mudanças em curso apontam, mais uma vez, para a importância estratégica das parcerias e dos acordos comerciais na definição das tendências globais na indústria manufatureira. Em meio à complexa rede do comércio internacional, todas as empresas são incentivadas a considerar o USMCA como um dos facilitadores para uma transição tranquila.
A mudança para a produção no México representa uma abordagem proativa e singular para fortalecer as vantagens regionais, fomentar o crescimento econômico e garantir a resiliência da cadeia de suprimentos em um cenário global incerto. Em suma, o esforço das empresas manufatureiras taiwanesas para instalar fábricas de servidores de IA no México surge como uma oportunidade de ouro para a rede global de manufatura. Esse desenvolvimento, impulsionado por considerações geopolíticas, econômicas e logísticas, enfatiza o caráter estratégico da proximidade geográfica e da diversificação. Se antes era percebido como algo de grande alcance e impacto nas relações comerciais, tecnológicas e econômicas internacionais, agora pode ser visto em escala global.

