As autoridades policiais francesas fecharam uma das principais plataformas da dark web em língua francesa, o Dark French Anti System (DFAS).
A operação contra o mercado da darknet, que facilitava o tráfico de drogas e a venda de armas, entre outras transações ilegais, surge após uma longa investigação.
Autoridades francesas desmantelam a DFAS com prisões e apreensão de moedas
A DFAS, um dos principais mercados no segmento francófono da dark web, foi retirada do ar pela polícia e pelo judiciário da França.
O desenvolvimento é resultado de vários anos de trabalho investigativo, conforme observou o portal de notícias sobre criptomoedas Journal du Coin em uma reportagem publicada na terça-feira.
Duas pessoas foram detidas durante a operação policial, conforme revelado pela mídia local nos últimos dias.
As autoridades também apreenderam mais de 6 bitcoin(BTC), avaliados em mais de € 600.000 na época (mais de US$ 700.000).
Os primeiros detalhes sobre a operação foram divulgados pela Procuradoria Pública de Paris no final da semana passada.
A DFAS estava ativa desde 2017 e, ao longo dos anos, evoluiu para um importante fórum da darknet para o crime organizado no mundo francófono.
Além do tráfico de drogas e armas, o site também facilitava golpes e esquemas de lavagem de dinheiro. Servia ainda como plataforma de troca de dados pessoais roubados e ferramentas de anonimização.
A base de usuários do DFAS cresceu constantemente até o seu encerramento
A Cyberdouane, unidade da Direção Nacional de Inteligência Aduaneira Francesa (DNRED) especializada no combate ao tráfico cibernético, acompanhava de perto o desenvolvimento da plataforma.
Nos anos que se seguiram ao seu lançamento, o site alcançou mais de 12.000 membros. Foram publicados mais de 110.000 anúncios e mensagens.
Uma das pessoas presas em 8 de setembro é a pessoa que criou a DFAS e atuou como seu administrador-chefe. A outra é um cúmplice que ajudou nos testes de seus serviços.
Os dois nasceram em 1997 e 1989, respectivamente, segundo um comunicado de imprensa publicado no X. Ambos foram levados perante um juiz de instrução para o indiciamento.
A operação foi realizada em colaboração com o Gabinete Central Francês para a Repressão de Crimes Financeiros Graves (OCLCIFF).
Trata-se do mais recente de uma série de golpes desferidos contra plataformas semelhantes no espaço da darknet francesa, observou o Ministério Público.
Entre os grupos já visados estão La Main Noire, em 2018, French Deep Web e Le Monde Parallèle, em 2021, e Cosa Nostra, no ano passado.
Criptomoedas deixaram de ser um porto seguro para criminosos
As autoridades francesas atribuem seu sucesso à crescente capacidade de tracatividades na dark web e confiscar lucros ilícitos com criptomoedas.
O Journal du Coin observou em sua reportagem que os lucros ilícitos em criptomoedas estão sendo cada vez mais visados por investigadores qualificados e agências governamentais munidas de meios técnicos avançados.
A análise forense da blockchain permitiu que as autoridades francesasdentas carteiras dos suspeitos e congelassem seus ativos, comprometendo o anonimato dos pagamentos em criptomoedas, detalhou o veículo de notícias.
O Ministério Público de Paris saudou os investimentos feitos pelos órgãos de investigação franceses em recursos que lhes permitem lidar com as táticas cibernéticas empregadas por organizações criminosas como a DFAS.
Ao utilizar conhecimentos técnicos em esforços coordenados, as autoridades agora podem transformar um espaço que era percebido como um santuário de anonimato em uma área de alto risco para infratores, conclui o artigo.
Nos últimos meses, a França tornou-se palco de graves crimes relacionados a criptomoedas. Diversas tentativas de sequestro contra figuras proeminentes do universo cripto e suas famílias abalaram a sociedade francesa.
Os ataques descarados levaram o poder executivo em Paris a tomar medidas de emergência e até mesmo medidas legislativas, conforme relatado anteriormente pela Cryptopolitan.
As mais recentes de uma série de detenções, incluindo a de alguns dos supostos organizadores dos sequestros brutais, foram efetuadas no início deste mês. Dezenas de pessoas já foram indiciadas por suspeita de participação nos casos de sequestro.

