Hong Kong iniciou planos para isentar fundos de private equity, fundos de hedge e bilionários do pagamento de impostos sobre os ganhos obtidos com investimentos em criptomoedas. Essas mudanças na política podem fazer com que Hong Kong se torne um concorrente de peso para Singapura e Suíça na corrida pela posição de principal centro financeiro offshore.
Singapura e China têm competido para atrair investimentos de capital de grandes fundos de investimento e bilionários por meio de políticas tributárias mais flexíveis.
Segundo uma proposta detalhada vista pelo Financial Times esta semana, o governo chinês pretende criar um ambiente favorável para que gestores de ativos estabeleçam suas operações por meio de regulamentações mais flexíveis. A tributação está entre as principais considerações para essas entidades.
A proposta de revisão tributária chinesa poderá expandir os investimentos isentos de impostos, caso seja aprovada
🇭🇰 Hong Kong planeja isentar de impostos os ganhos com #criptomoedas para fundos de private equity, fundos de hedge e investidores de alto patrimônio. pic.twitter.com/quxFaz4voK
– Anup Dhungana (@CryptoAnup) 28 de novembro de 2024
A proposta tributária detalhou que o governo também pretende rever suas políticas fiscais para expandir os investimentos isentos de impostos. A China está realizando uma consulta pública de seis semanas e, uma vez aprovada a proposta, Hong Kong eliminará a tributação sobre crédito privado, imóveis no exterior e créditos de carbono.
Segundo Patrick Yip, vice-presidente e sócio de impostos internacionais da Deloitte China, cuja principal área de atuação são os escritórios familiares, se a proposta for implementada, as alterações tributárias poderão trazer clareza para esses escritórios e investidores com grande necessidade de capital. Yip destacou que a proposta poderia impulsionar Hong Kong como um centro financeiro e de negociação de criptomoedas. Ele acrescentou que um grupo de famílias aloca até 20% de seus portfólios de investimento em criptomoedas.
A repressão dodent chinês Xi Jinping contra indivíduos ricos na jurisdição fez com que cidadãos chineses de alto patrimônio líquido estabelecessem canais de investimento privados fora do território chinês.
Por outro lado, Singapura iniciou uma campanha rigorosa contra a lavagem de dinheiro, o que gerou preocupações entre os investidores estrangeiros. O país implementou verificações de diligência prévia mais rigorosas, o que tem dificultado a abertura de novos escritórios familiares.
A China testemunhou recentes desenvolvimentos favoráveis às criptomoedas, especialmente após a vitória de Donald Trump nas eleiçõesdentamericanas de 5 de novembro. Em 2021, a China reafirmou suatronconvicção contra os ativos digitais. O banco central chinês declarou todas as transações com criptomoedas ilegais e proibiu ativos digitais como Bitcoin. A proibição impediu efetivamente que 1,41 bilhão de pessoas no país tivessem acesso a criptomoedas.
Contudo, a perspectiva da China sobre ativos digitais parece ter mudado ou evoluído com o tempo. Recentemente, uma decisão judicial de Xangai esclareceu que a posse pessoal de criptoativos é legal na China, em meio a crescentes preocupações com a repressão de Pequim ao uso de criptoativos para fins comerciais. No entanto, as regulamentações chinesas ainda proíbem atividades comerciais centradas em ativos digitais para manter a estabilidade financeira e proteger os acionistas.
Os EUA lideram com uma perspectiva mais positiva para criptomoedas, tanto para investidores quanto para instituições
Embora o governo chinês pareça estar adotando uma abordagem mais conservadora em relação aos ativos digitais, os EUA fizeram progressos significativos desde que Donald Trump foi declaradodenteleito após as eleições. Sua campanha apoiou os ativos digitais e prometeu tornar os Estados Unidos o centro global das criptomoedas.
Diferentemente da China, os reguladores dos EUA permitem que as empresas incorporem ativos digitais em suas operações. A regulamentação mais flexível das criptomoedas abriu caminho para que empresas americanas, como a Microstrategy e a Solidion, adotassem criptoativos como reservas estratégicas para aumentar o valor para os acionistas e se proteger contra a inflação.
A MicroStrategy é a maior detentora corporativa Bitcoin do mundo, com 386.700 Bitcoin no momento desta publicação. O Japão também foi pioneiro na adoção Bitcoin na Ásia, permitindo que empresas como a Metaplanet adotassem Bitcoin como reserva estratégica, replicando o sucesso da MicroStrategy.

