A General Motors agitou o mercado na terça-feira, superando as expectativas de Wall Street para o terceiro trimestre e elevando sua previsão para o ano todo de 2025.
Os investidores não hesitaram — compraram. As ações dispararam mais de 15%, caminhando para seu melhor dia desde 2020. Na segunda-feira, fecharam a US$ 58. Ao meio-dia de terça-feira, a alta já estava a todo vapor.
A montadora reportou lucro ajustado por ação de US$ 2,80, superando a estimativa de US$ 2,31. A receita atingiu US$ 48,59 bilhões, acima dos US$ 45,27 bilhões esperados, e apenas ligeiramente abaixo dos US$ 48,76 bilhões obtidos no mesmo período do ano passado.
O EBIT ajustado ficou em US$ 3,38 bilhões, bem acima da previsão de US$ 2,72 bilhões. A GM não inclui itens não recorrentes ou atividades não essenciais nesses números — eles mantêm as contas transparentes.
A GM eleva suas projeções para 2025 e reduz drasticamente o impacto das tarifas
Com o terceiro trimestre concluído, a General Motors elevou as expectativas para o restante do ano. A empresa agora prevê um EBIT ajustado entre US$ 12 bilhões e US$ 13 bilhões, em comparação com a previsão anterior de US$ 10 bilhões a US$ 12,5 bilhões. O lucro por ação (EPS) ajustado para o ano subiu para US$ 9,75 a US$ 10,50, ante os US$ 8,25 a US$ 10 anteriores. cash também foi revisado para cima, passando de US$ 7,5 bilhões a US$ 10 bilhões para US$ 10 bilhões a US$ 11 bilhões.
A perspectiva para o quarto trimestre também é promissora. A GM projeta um lucro por ação ajustado entre US$ 1,64 e US$ 2,39, com o ponto médio em US$ 2,02. Isso é superior à meta média dos analistas, de US$ 1,94. A CEO Mary Barra disse aos acionistas na terça-feira: “Graças aos esforços coletivos de nossa equipe e ao nosso portfólio de veículos atraente, a GM apresentou mais um trimestre muito bom em termos de lucros e cash . Com base em nosso desempenho, estamos elevando nossa projeção para o ano todo.”
A General Motors também reduziu sua projeção de impacto tarifário para 2025. Agora, a empresa espera um impacto entre US$ 3,5 bilhões e US$ 4,5 bilhões, em vez dos US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões anteriores. Barra elogiou o presidentedent Trump pelas “importantes atualizações tarifárias” anunciadas na última sexta-feira. A nova política adiciona tarifas sobre caminhões e peças importados de médio e grande porte, ao mesmo tempo que estende a compensação de 3,75% para veículos fabricados nos Estados Unidos.
Mas nem tudo foram flores. A empresa sofreu um prejuízo de US$ 1,6 bilhão na semana passada devido à redução de seus esforços no mercado de veículos elétricos. Esse custo não foi incluído nos números ajustados, mas ainda assim reduziu o lucro líquido para os acionistas para US$ 1,3 bilhão, uma queda de 57% em relação aos US$ 3,1 bilhões do ano passado. A margem de lucro líquido despencou para 2,7%, ante 6,3%.
Lucro dos veículos elétricos pressionado, margem na América do Norte cai, China se recupera
Sobre os veículos elétricos, o diretor financeiro da GM, Paul Jacobson, disse à CNBC que apenas 40% dos veículos elétricos da empresa são lucrativos em nível de produção. Isso é muito menos do que os investidores esperavam. Ele alertou que obter lucro com veículos elétricos levará mais tempo, à medida que a adoção diminui. "Precisamos fazer algumas mudanças estruturais para garantir que reduzamos o custo de produção desses veículos", disse Jacobson no programa "Squawk Box".
Ainda assim, a General Motors ganhou terreno no mercado de veículos elétricos. De acordo com a Motor Intelligence, a participação da empresa no mercado de veículos elétricos saltou de 8,7% no início do ano para 13,8% no final do terceiro trimestre. Isso a colocou à frente da Hyundai e da Kia, que juntas detêm 8,6% do mercado, mas ainda está muito atrás da Tesla.
O negócio na América do Norte, que tem sido a principal fonte cash da GM, faturou US$ 2,5 bilhões no terceiro trimestre, em valores ajustados. Isso representa uma queda em relação aos números do ano passado, e a margem de lucro caiu para 6,2%, ante 9,7%. Barra afirmou na terça-feira que sua “prioridade máxima” é elevar as margens na América do Norte de volta para 8% a 10%. Isso exigirá disciplina nos custos de veículos elétricos, na produção, nos preços e na exposição às tarifas.
O que ajudou a compensar essa queda na margem? A China. A unidade chinesa da GM adicionou US$ 217 milhões ao lucro em relação ao ano passado. Seu segmento internacional contribuiu com outros US$ 184 milhões em ganhos. A GM Financial, braço financeiro da empresa, também teve um bom desempenho, com US$ 804 milhões em lucros ajustados, um aumento de 17% em relação ao ano anterior.

