Em uma recente coletiva de imprensa em seu resort Mar-a-Lago, na Flórida, o candidato republicano à presidência dos EUA, Donald J. Trump, apresentou uma visão bastante sombria do que ele acredita que acontecerá se não vencer a próxima eleição.
Segundo ele, os Estados Unidos estão caminhando diretamente para uma "Grande Depressão" e possivelmente até para a Terceira Guerra Mundial. Um colapso global completo.
Trump tem muito a dizer sobre o governo Biden-Harris, e nada do que ele diz é bom. Ele está convencido de que, sob a liderança deles, os EUA estão à beira de um colapso econômico massivo.

Ele chegou a prever que o país poderia ver os índices de desemprego dispararem para 25%, como vimos durante a Grande Depressão da década de 1930.
Trump afirma que os democratas trarão guerra e ruína econômica.
Trump está convencido de que as políticas de Biden estão empurrando os EUA diretamente para um conflito global. Ele chegou ao ponto de dizer que poderíamos acabar em uma guerra onde as armas usadas seriam "de um tipo nunca antes visto".
O ex-dent vem abordando esse tema há algum tempo. Em fevereiro de 2024, na conferência CPAC, ele disse que, se Biden fosse reeleito, estaríamos "perdendo a Terceira Guerra Mundial" antes mesmo de nos darmos conta.
Mas eis a questão: os números não corroboram exatamente as afirmações de Trump. É claro que a economia dos EUA não é perfeita, mas também não está à beira do colapso.

Neste momento, a taxa de desemprego está em 4,3%, o que está muito longe dos 25% previstos por Trump. E embora existam, defidúvida, algumas tensões globais, não há evidências concretas de que uma terceira guerra mundial esteja iminente.
A realidade atual
Já vimos Trump usar esse tipo de retórica antes. Lembram quando ele disse que a multidão que ele reuniu em 6 de janeiro de 2021 era maior do que a de Martin Luther King Jr. na Marcha sobre Washington em 1963? Pois é, isso não se confirmou.
Segundo ele, a eleição de 2024 é a última chance para os Estados Unidos "salvarem o país". Ele disse a uma plateia na Carolina do Sul, em janeiro de 2023, que os EUA precisam de um líder que possa "enfrentar todo o sistema" e "vencer".

Na visão de Trump, ele é o único capaz de tirar o país da beira do abismo. Ele acredita que pode resolver as coisas com Vladimir Putin, da Rússia, e seus aliados: Kim Jong-un, da Coreia do Norte, Xi Jinping, da China, e Narendra Modi, da Índia.
Segundo a maioria dos economistas, o crescimento do PIB deverá desacelerar em 2024, mas uma recessão é improvável. Na verdade, o crescimento deverá retomar em 2025, à medida que a inflação diminui e o Federal Reserve reduz as taxas de juros.
Mas a taxa de desemprego subiu para 4,3% em julho de 2024, o que desencadeou algo chamado Regra Sahm.

Historicamente, essa regra sinalizava o início de uma recessão, mas os economistas não estão convencidos de que ela seja precisa desta vez. Eles afirmam que a economia pode continuar crescendo, mesmo que a um ritmo mais lento.
Também houve um certo aperto nas condições financeiras, graças aos aumentos das taxas de juros do Fed. Isso elevou as chances de recessão para algo entre 15% e 25%, dependendo da fonte.
Mas, novamente, a maioria dos economistas não acredita que uma recessão seja inevitável.

