Os investidores em criptomoedas estão passando por um momento difícil. A demanda está diminuindo, mesmo estando supostamente em um mercado em alta. No último mês, o interesse pelo Bitcoinfoi bastante baixo.
As buscas no Google diminuíram e houve pouca atividade nas redes sociais. As taxas de financiamento de contratos futuros chegaram a ficar negativas por um breve período.
Não podemos nos esquecer dos novos ETFs de Ether. Eles foram lançados há pouco mais de um mês, mas em vez de receberem grandes fluxos de capital, estão sofrendo perdas.
Os ETFs Bitcoin não estão se saindo muito melhor. Eles eram considerados a solução ideal, impulsionando os preços a novas máximas em março, mas agora também apresentam saídas líquidas de capital. Nem mesmo a BlackRock, a maior e mais resistente de todas, está imune.
Como afirma Michael Rinko, analista da Delphi Digital:
“Os ETFs têm sido um sucesso estrondoso. Bitcoinestá cotado em torno de US$ 60.000. Trump está na TV falando sobre o governo americano comprar Bitcoin. Mas, de alguma forma, o sentimento ainda está péssimo.”
E ele tem razão. Desde 1º de abril, Bitcoin caiu 12%. O Ether sofreu um baque ainda maior, com queda de 29%, enquanto Solana recuou 27%. Até mesmo Binance Coin e XRP perderam valor, com quedas de 10% e 8%, respectivamente.
Compare isso com o S&P 500, que subiu 6%, ou com o ouro, que valorizou 12%. É como se as criptomoedas estivessem jogando um jogo diferente e perdendo.
O interesse institucional em ETFs Bitcoin está diminuindo?
David Glass, do Citi, comentou sobre isso em sua nota de 23 de agosto. Ele destacou que, embora outros ativos de risco também tenham sofrido quedas recentemente, as criptomoedas apresentaram desempenho inferior em termos de volatilidade ajustada desde a última recuperação.
Embora as stablecoins ainda apresentem algum crescimento em capitalização de mercado, outras métricas de demanda por criptomoedas enfraqueceram de forma generalizada.
Para Bitcoin, a retomada das compras de ETFs é vista como um fator crucial para impulsionar a demanda. O anúncio do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre os próximos cortes nas taxas de juros pode contribuir para isso, já que custos de empréstimo mais baixos podem levar os investidores de volta a ativos de maior risco.
Mas há um porém. De acordo com Julio Moreno, da CryptoQuant, houve um declínio notável na taxa de crescimento das participações das baleias. Em fevereiro, elas cresciam a cerca de 6% ao mês.
Agora, caiu para apenas 1%. Moreno acrescenta Bitcoin de longo prazo – aqueles que nunca venderam – continuam comprando mais, ainda mais rápido do que no primeiro trimestre, quando Bitcoin atingiu seu pico histórico.
Os ETFs Bitcoin têm sido comercializados como uma grande história de sucesso. O iShares Bitcoin Trust (IBIT) da BlackRock, por exemplo, agora administra US$ 23 bilhões em ativos. No entanto, apesar desse número impressionante, a maior parte da demanda parece vir de instituições.
Bitcoin pode ter subido 44% no ano, mas há poucas evidências de que dinheiro novo esteja fluindo para redes menores ou projetos inovadores. Isso é uma decepção para muitos no universo das criptomoedas.
E não é só Bitcoin. O resto do mercado de criptomoedas não está muito melhor. A empolgação que normalmente acompanha uma alta Bitcoin – aquela em que o Ether dispara em seguida e arrasta o resto do mercado junto – simplesmente não está acontecendo.
No momento, a especulação de preços ainda é a regra.

