Grande gestora de ativos do Brasil cria unidade de criptomoedas para desenvolver ETFs

- A Itaú Asset Management apresenta uma nova unidade de criptomoedas para desenvolver fundos mútuos, ETFs e serviços de custódia de criptomoedas.
- A divisão de criptomoedas operará sob a estrutura de fundos mútuos da Itaú Asset.
- A adoção de criptomoedas no Brasil cresceu significativamente; o país agora ocupa a 10ª posição global.
A Itaú Asset, maior gestora de ativos privados do Brasil, lançou uma divisão focada em criptomoedas para desenvolver fundos mútuos de ativos digitais, ETFs, serviços de custódia e estratégias de staking.
O lançamento amplia a crescente linha de produtos em criptomoedas do Itaú, complementando seu ETF Bitcoin e plano de aposentadoria com exposição a ativos digitais.
O ex-executivo da Hashdex, João Marco Braga da Cunha, supervisionará a nova unidade. Ele chegou a comentar: “O segmento de criptoativos possui características únicas para gerar alfa. É um mercado relativamente novo que cria grandes oportunidades devido à sua volatilidade.”
A nova divisão de criptomoedas do Itaú se concentrará em produtos semelhantes a títulos
A Itaú Asset permite que os usuários negociem diretamente 10 pares de criptomoedas por meio de sua plataforma móvel, incluindo ativos como Bitcoin, Ether, Solanae USD Coin, além de oferecer custódia interna. Agora, a empresa está expandindo sua divisão de criptomoedas, afirmando que sua nova unidade trabalhará em soluções que incluem produtos semelhantes a títulos, bem como instrumentos de maior volatilidade, como derivativos e veículos baseados em staking. Ela também operará sob a estrutura de fundos mútuos da Itaú Asset, que administra mais de 117 bilhões de reais em 15 mesas de operações.
Até o momento, o Itaú nomeou Cunha, que anteriormente dirigia a gestão de portfólios na Hashdex, para liderar a divisão, supervisionando o desenvolvimento de produtos de renda fixa e estratégias de criptomoedas de maior risco. Sua experiência com ETFs e fundos o coloca em uma posição privilegiada para moldar ofertas para o emergente mercado de criptomoedas do Brasil.
O Brasil ocupa a 10ª posição no ranking global de adoção de criptomoedas
O Brasil tem demonstrado grande interesse em criptomoedas nos últimos meses. A Chainalysis classifica o Brasil em 10º lugar em seu ranking de adoção global de criptomoedas para 2024. O crescimento do setor cripto no país é impulsionado principalmente por políticas governamentais.
Em 2023, o banco central implementou uma lei nacional sobre criptomoedas, criando um arcabouço para empresas de ativos virtuais e atribuindo autoridade regulatória ao banco central. O Itaú Unibanco chegou a introduzir a negociação de criptomoedas para investidores individuais em dezembro de 2023, logo após a entrada em vigor da lei, inicialmente com suporte para Bitcoin e Ether.
A Comissão de Valores Mobiliários do Brasil também autorizou o lançamento do primeiro ETF spot XRP , emitido pela Hashdex, em fevereiro de 2025. Logo depois, o Banco Braza anunciou um projeto para lançar uma stablecoin atrelada à moeda real utilizando o XRP Ledger.
Naquela época, Marcelo Sacomori, CEO do Grupo Braza, observou que a stablecoin seria um divisor de águas para os mercados financeiros globais. Criada para pagamentos em moeda estrangeira, o ativo foi projetado para aumentar a estabilidade e a eficácia das operações internacionais.
O país latino-americano já se destaca como um estudo de caso sobre como um arcabouço regulatório claro pode integrar criptomoedas aos sistemas bancários tradicionais. A capacidade do Itaú de lançar serviços de custódia em conformidade com a legislação também tranquiliza os investidores e sinaliza a maturidade do setor.
Aliado às crescentes taxas de adoção em toda a América Latina, esse impulso posiciona o Brasil como um polo de inovação em criptomoedas e um polo de atração para futuros investimentos. No entanto, apesar do progresso, ainda existem questões em aberto em relação à regulamentação.
Em junho, o Brasil reformulou suas regras tributárias, abolindo o sistema progressivo em favor de uma alíquota fixa de 17,5% sobre ganhos de capital com criptomoedas. A reforma também eliminou a antiga regra que permitia até 35.000 reais (US$ 6.500) em vendas mensais isentas de impostos e ampliou a tributação para abranger autocustódia, ativos offshore, atividades DeFi , NFTs e recompensas de staking. O decreto executivo foi alvo de críticas imediatas e revogado antes do final do mês.
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Nélio Irene
Nellius é formada em Administração de Empresas e TI, com cinco anos de experiência no setor de criptomoedas. Ela também é graduada pela Bitcoin Dada. Nellius já contribuiu para importantes publicações de mídia, incluindo BanklessTimes, Cryptobasic e Riseup Media.
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