Os investidores de Wall Street estão reduzindo sua dependência dos dados de emprego do governo depois que Donald Trump acusou o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) de falsificar os números de julho e demitiu a chefe da agência, Erika McEntarfer. O golpe foi rápido.
Trump fez a alegação sem provas, mas o estrago não precisava de comprovação. Segundo dados da Bloomberg, a demissão abalou a confiança de longa data no que antes era considerado o conjunto mais neutro de indicadores econômicos dos EUA.
Philip Petursson, estrategista-chefe de investimentos da IG Wealth Management, disse que usa dados do BLS há décadas, não como a única fonte de informação, mas defiuma das principais. Agora, ele não confia mais neles da mesma forma.
Philip disse: "Isso põe em dúvida a validade daqui para frente", e acrescentou que, se os números se tornarem politizados, "você não poderá confiar neles e terá que confiar em todo o resto". Esse sentimento não é mais exclusivo dele. Outros em Wall Street estão dizendo a mesma coisa, em voz alta.
Wall Street pressiona cada vez mais as empresas de dados privados
Michael O'Rourke, estrategista-chefe de mercado da Jonestrading, afirmou categoricamente: "A imagem dessa situação não é nada boa". Ele disse que dará "mais ênfase" aos relatórios de emprego da ADP Research e deixará de dar tanta importância aos dados divulgados pelo BLS (Bureau of Labor Statistics).
Isso está se tornando um padrão. Relatórios de empresas privadas como ADP, Challenger, Gray & Christmas, Institute for Supply Management e S&P Global deixaram de ser apenas dados complementares e estão se tornando essenciais.
Brian Jacobsen, economista-chefe da Annex Wealth Management, afirmou que os dados privados se tornaram o "equilíbrio e o controle dos dados públicos". Ele está acompanhando as audiências de confirmação no Senado para ver se a escolha de Trump para liderar o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) mudará a forma como os números são compilados.
Brian disse que esperará para julgar o indicado, mas alertou: "Se a questão se tornar politizada, perceberemos rapidamente". Ele também ressaltou que os relatórios privados permitem que os analistas identifiquem erros.
Até o momento, o mercado de ações não reagiu de forma descontrolada às ações de Trump, mas é evidente que a confiança está diminuindo. Keith Lerner, co-diretor de investimentos da Truist Advisory Services, afirmou que a menor confiança nos dados pode significar que os investidores desejam assumir riscos maiores.
Isso reduziria as avaliações e tornaria os dados menos confiáveis. "Se você tem menos confiança neles, provavelmente terá um prêmio de risco maior", disse Keith.
Problemas antigos com o BLS agravam a situação
O Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) já enfrentava problemas muito antes da chegada de Trump. O orçamento da agência está apertado há anos. Houve perda de funcionários. Ela ainda utiliza métodos obsoletos. As pessoas não respondem às pesquisas como antes. Isso tornou os dados mais incompletos e as revisões cada vez maiores.
Às vezes, eles até precisam inventar dados faltantes, preenchendo lacunas com palpites. Isso acontece há anos. Mas as pessoas toleravam porque acreditavam que o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) não estava sendo influenciado pela política. Essa crença agora está ruindo.
Julian Emanuel, estrategista-chefe de ações e análise quantitativa da Evercore ISI, afirmou que a atenção está crescendo rapidamente em torno de fontes privadas. Sua empresa também publica dados do mercado de trabalho. "A busca por dados privados está ganhando cada vez mais destaque à medida que os dados do governo se tornam uma incógnita", disse ele.
Donald Ellenberger, gestor de portfólio sênior da Federated Hermes, alertou que as ações da Casa Branca podem prejudicar permanentemente os dados governamentais. "A utilidade dos relatórios governamentais diminuirá" se as pessoas acharem que o governo Trump está interferindo. E ele não parou por aí. "A confiança é a pedra angular das finanças", disse Donald. "Uma vez perdida, é difícil de recuperar."

