No turbulento mundo das fintechs, uma tempestade parece estar se formando em torno do Ant Group, o colosso da tecnologia financeira pioneiro liderado pelo onipresente Jack Ma.
A empresa revelou um plano para recomprar ações avaliadas em quase 70% abaixo da estimativa de seu IPO em 2020, uma medida que causou surpresa nos círculos de investidores.
Mas essa ambiciosa recompra de bilhões de dólares ocorre em um contexto de turbulência regulatória que levanta a questão: será essa a calmaria antes de outra tempestade?
Uma mudança de um bilhão de dólares em meio à turbulência
O Ant Group se posicionou para recomprar a impressionante quantia de US$ 6 bilhões em ações, avaliando a empresa em modestos US$ 78,5 bilhões. Essa movimentação veio à tona apenas 24 horas depois de autoridades financeiras chinesas imporem uma multa de quase US$ 1 bilhão à empresa, culminando um longo período de escrutínio.
Para compreender a dimensão do problema do Ant Group, precisamostraca novembro de 2020, quando Jack Ma criticou publicamente os reguladores chineses e os bancos estatais.
Isso provocou uma reação rápida e severa de Pequim, impulsionando uma cruzada para conter a influência das grandes corporações.
O resultado foi uma reestruturação forçada do Ant Group, que cortou metade de suas lucrativas operações de empréstimo a investidores externos, reduziu pela metade os ativos de seu principal fundo de mercado monetário e concedeu ao governo mais controle sobre seus vastos dados de usuários.
Ant Group versus forças regulatórias
A reestruturação do Ant Group tem sido uma história de intenso combate regulatório, tendo que suportar uma série de penalidades por diversas violações.
O Alipay, unidade de pagamentos digitais da empresa, foi o mais afetado por essa ação disciplinar, sofrendo multas de quase 3 bilhões de yuans por falhas em compensação, diligência prévia e proteção ao consumidor. A gigante fintech reconheceu as penalidades e prometeu reforçar sua governança de conformidade.
O magnata da tecnologia Jack Ma se viu no olho do furacão, acabando por renunciar ao controle do Ant Group no início deste ano, empresa que ele havia desmembrado do Alibaba em 2011.
Essa retirada estratégica aparentemente mitigou as consequências mais graves tanto para ele quanto para o Ant Group, de acordo com pessoas próximas aos órgãos reguladores financeiros.
À medida que a poeira começa a baixar neste campo de batalha regulatório, a atenção se volta para a "supervisão normal" de conglomerados como o Ant Group.
No entanto, os efeitos dessa transformação ainda se fazem sentir no ecossistema fintech, suscitando preocupações de que a contenção das gigantes tecnológicas chinesas possa limitar as suas operações globais.
Enquanto isso, Jack Ma vem fazendo um retorno discreto, aparecendo com mais frequência na China continental e retomando um papel discreto no Alibaba, conduzindo o gigante do comércio eletrônico rumo a uma recuperação. Com esse retorno, as ações do Alibaba registraram uma alta de quase 6% nas negociações em Nova York.
Olhando além deste período turbulento, o futuro reserva promessas para o Ant Group. A empresa está se preparando para relançar seus esforços de abertura de capital no próximo ano, com seu empreendimento de avaliação de crédito e seu status de holding financeira ainda sob análise.
Embora a tempestade regulatória pareça estar diminuindo, a jornada do Ant Group de volta à "normalidade" nos negócios ainda está em andamento, de acordo com Dong Ximiao, especialista em regulamentação financeira da Merchants Union Consumer Finance.
A decisão da empresa de não vender as ações recompradas e alocá-las ao seu programa de incentivo aos funcionários indica um passodent em direção ao seu futuro.
Ant Group inicia recompra de ações no valor de US$ 6 bilhões após fim de repressão regulatória