De acordo com a Chainalysis, o uso de stablecoins nos Estados Unidos não é mais o mesmo. Apesar da atividade recorde com criptomoedas este ano, os Estados Unidos estão perdendo terreno nas transações com stablecoins.
A queda começou em fevereiro, revertendo a tendência de alta que se manteve até 2023. A atividade com stablecoins aumentou globalmente, especialmente em regiões com mercados emergentes. As transações em plataformas não regulamentadas pelos EUA decolaram neste ano
Os mercados fora dos EUA lideram o caminho
A Circle, emissora do USDC, destaca que a demanda por ativos lastreados em dólar está disparando fora dos EUA. Muitos desses países não possuem moedas locais estáveis, o que torna o dólar americano uma opçãotrac, especialmente em locais onde as pessoas não têm fácil acesso aos sistemas bancários tradicionais.
“O Federal Reserve estima que quase US$ 1 trilhão em notas americanas estejam fora dos Estados Unidos”, disse um porta-voz da Circle. Isso representa 45% de todas as notas americanas, e cerca de dois terços das notas de US$ 100 em circulação estão no exterior.
Sem regras claras, os projetos de stablecoins estão migrando para locais como a Europa, onde o Regulamento de Mercados de Criptoativos (MiCA) entrou em vigor em junho.
A MiCA confere a esses projetos uma base legal, algo que os EUA ainda não conseguiram estabelecer. Se isso continuar, os EUA correm o risco de perder influência sobre o papel do dólar no comércio global on-chain.
Neste momento, outros países estão a definir o padrão enquanto os EUA se arrastam. As consequências poderão ser enormes. Lembram-se dos eurodólares?
Os formuladores de políticas dos EUA ignoraram esse mercado em seus primórdios, apenas para vê-lo crescer enormemente e consolidar o papel do dólar internacionalmente. A história pode se repetir aqui.
Ambos os partidos políticos concordam que o status quo é inaceitável. A grande questão é: o Congresso vai agir?
Houve avanços. Em julho de 2023, o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes aprovou um projeto de lei sobre stablecoins. Ele inclui obrigações de AML (Antilavagem de Dinheiro), CFT (Combate ao Financiamento do Terrorismo) e sanções para emissores — essenciais para manter a relevância global das stablecoins sediadas nos EUA.
O cenário cripto em expansão da América Latina
Enquanto os EUA enfrentam dificuldades, a América Latina prospera. A adoção de stablecoins está crescendo na região. De julho de 2023 a junho deste ano, a América Latina movimentou quase US$ 415 bilhões em criptomoedas.
Isso representa 9,1% do mercado global, posicionando-se logo acima da Ásia Oriental. As bolsas centralizadas lideram o setor, com 68,7% da atividade concentrada nelas.
A Argentina lidera a região, com US$ 91,1 bilhões, ligeiramente à frente do Brasil, com US$ 90,3 bilhões. As remessas baseadas em stablecoins estão crescendo nesses países.
O Brasil se recuperou este ano após um 2023 conturbado. Os investidores institucionais voltaram ao mercado, com transações acima de US$ 1 milhão aumentando 29,2% entre os dois últimos trimestres de 2023 e 48,4% entre o quarto trimestre de 2023 e o primeiro trimestre de 2024.
Bitcoin é particularmente popular por lá, com os valores das transações disparando entre setembro de 2023 e março de 2024. Esse aumento coincidiu com a aprovação, pela SEC, de ETFs Bitcoin à vista.
Enquanto isso, a Argentina enfrenta uma inflação descontrolada. No segundo semestre de 2023, a inflação atingiu 143%, e o peso argentino (ARS) continuou a se desvalorizar.
Em dezembro de 2023, odent Javier Milei anunciou uma desvalorização de 50% do ARS, uma medida apelidada de "terapia de choque"
Quando o valor do peso caiu abaixo de US$ 0,004 em julho de 2023, o volume de negociação de stablecoins disparou, ultrapassando US$ 1 milhão no mês seguinte. Em dezembro, quando o ARS caiu ainda mais, a negociação de stablecoins ultrapassou US$ 10 milhões.
E, claro, a Venezuela. A relação do país com as criptomoedas tem sido um tanto turbulenta, desde o lançamento fracassado da stablecoin estatal petro (PTR) até a repressão à mineração.
Mas as criptomoedas continuam sendo uma tábua de salvação para muitos venezuelanos que lutam contra o colapso do bolívar (VES). O crescimento anual é de 110%, tornando-se o mercado de criptomoedas de crescimento mais rápido da América Latina.
Enquanto isso, o Caribe também está se recuperando. Após o colapso da FTX, o ecossistema cripto da região passou por um período de incerteza. Mas, atualmente, a Chainalysis afirma que exchanges centralizadas como Coinbase e Binance estão registrando um aumento consistente no uso no Caribe.

